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“Duzentos e nove personagens. Mas nem precisava tantos, é coisa de doido”
Chico Anysio

Com mais de 60 anos de carreira, 11.000 apresentações e 209 personagens, além da experiência como escritor, dublador e pintor, o mestre do humor, Chico Anysio, concedeu por e-mail uma entrevista exclusiva a Palco Urbano em que falou da expectativa para o próximo show em Campo Grande, do seu personagem favorito e do futuro do humor no Brasil.
Chico apresenta no dias 6 e 7 de março, às 21h, no teatro Glauce Rocha, o espetáculo “Eu Conto, Vocês Cantam ”, em que interage com a plateia através da música. A apresentação marca a abertura do Festival do Riso que acontece até novembro na Capital.
Em alguns trechos da entrevista, ele diz também que considera o discípulo Tom Cavalcante o melhor comediante do Brasil e que os humoristas têm o dever de denunciar as mazelas da sociedade.
Confira a entrevista na íntegra:
Palco Urbano- O que o público pode esperar de “Eu Conto, Vocês Cantam”, que será apresentado em Campo Grande?
Chico Anysio- Um show com muito humor . Este show já foi testado nas principais cidades brasileiras, ele muito simpático...a plateia irá rir, cantar e se emocionar.
Palco - Como o senhor trabalha com o regionalismo nos seus shows cômicos: somente através da criação de personagens ou também nos roteiros das histórias ou a piadas? Costuma tratar de temas políticos no show?
Chico - Até conto uma ou outra piada política, mas não é o meu forte, eu sou um humorista social e não político. O humorista não tem o dever de consertar um problema, mas tem a obrigação de denunciar.
Palco - Quantos personagens já criou? Algum deles é mais especial que os outros? Qual? Por quê?
Chico - Duzentos e nove personagens. Mas nem precisava tantos, é coisa de doido. O personagem que mais gosto foi o professor Raimundo, foi ele que me abriu as portas do rádio e da televisão.
Palco - Como a Escolinha do Professor Raimundo marcou o senhor?
Chico - Marcou não só a mim, mas o público. A escolinha lançou muita gente importante : Ari Leite, Mussum, Heloísa Perissé , Tom Cavalcante, Nerso da Capitinga...
Palco - O que representou ter tantos talentos juntos num projeto tão bacana?
Chico - É uma importância inexplicável!
Palco - No espetáculo “Chico.Tom” você contracena com o discípulo Tom Cavalcante. Como é essa experiência e como é sua relação com ele?
Chico - É uma experiência muito boa, o Tom é o melhor humorista desse país, o mais completo.
Palco - O que o senhor acha da moda dos Stand-Up e de programas de humor como CQC, que tem ingredientes jornalísticos?
Chico - Acho muito bom . O Stand Up, foi criado na década de 50 pelo José Vasconcelos e depois eu comecei na década de 60, e aí veio um monte de gente importante do humor. O CQC eu nunca vi, só vejo tv fechada, mas sei que é muito bom.
Palco - O senhor enfrentou um enfisema pulmonar há alguns anos, como está sua saúde hoje?
Chico - Está boa. Tenho feito meus shows, gravo o meu quadro na Zorra Total, tenho levado uma vida normal. Mas, o que cigarro faz de estrago, já “tá” feito . Só me arrependo na vida de uma coisa, de ter fumado.
Palco - Chegou a pensar em parar de fazer humor?
Chico - Jamais.
Palco - Ter cinco ex-mulheres também agrava a saúde?
Chico - Não, pelo contrário.
Palco - O senhor começou a carreira em 1947, fazendo imitações no rádio, mas quando foi que descobriu que era um grande humorista, foi naquela época?
Chico - Foi naquela época, na rádio Guanabara; onde comecei com algumas feras, como Fernanda Montenegro e Silvio Santos.
Palco - O que o senhor espera para o futuro humorístico do Brasil?
Chico - Acho que o humor no Brasil sempre deu certo e sempre dará.
Palco - Se Alberto Roberto pudesse fazer uma pergunta para Chico Anysio, qual seria? E a resposta?
Chico - Eu não, garaaaaavo ! (risos).
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